quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda.



“... Até que um dia aquela rotina mudou, sem mais ligações, sem mais respostas.”


Nem mesmo por um instante eu me acostumei com a nova rotina imposta à mim. Eu esperei você chamar por mim todas as madrugadas, como se todas as noites anteriores eu tivesse despertado ao sentir minha cama vibrar, seguido de alguma música com alguma história ou letra marcada por sutis meros pequenos motivos que me trouxessem você, você diria os motivos do atraso, quais eu entenderia e riria ao saber que foi só uma besteira, nada do que eu estava imaginando, nós riríamos juntas de tudo aquilo, você diria que sentiu minha falta, e como de costume, eu me calaria por alguns segundos por não conseguir exprimir em palavras a minha tamanha alegria, e para que um choro feliz não pudesse interromper o que eu tivesse a dizer. E minhas palavras seriam apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos interiores, distantes do oceano de emoções dentro de minha alma.
TODOS os dias eu esperei por você, até mesmo naqueles em que estava descrente sobre o que eu sentia por você.
Pra que perder tanto tempo? Se definitivamente acabou, por que nós ainda esperamos uma pela outra? “Não há tempo que volte, amor, vamos viver tudo que há pra viver”. Eu não entendo pra que todo esse jogo duro, somente pra que todos os dias mais e mais confusões se instalem na minha mente, somente pra causar mais dor, pra nos vender ao risco de encontrar outros novos motivos para o coração sorrir, com novas formas e cores, sem vestígios das noites passadas, novas histórias, novos risos, novos sentimentos para ocupar o lugar desse.
Eu não quero isso, eu quero você aqui comigo! Minha razão, intuição e todos os meus sentidos querem você. Eu não quero ser só sua amiga, está seria uma opção se não houvesse outra, mas há, você e eu sabemos disso.
Eu nunca pensei que faria isso de novo, e mais uma vez eu levantei minhas mãos para o alto e me rendi, me rendi a todos os riscos, todos os desejos, me rendi a amar e ser amada, me rendi porque sei que vale a pena, porque é algo que me faz levantar todos os dias e saber o motivo de eu estar sorrindo, porque eu sei que se eu não sorrir, você sorrirá por mim, me rendi a FÚTIL DISTANCIA FÍSICA, de que vale o que podemos tocar, se temos o poder de sentir? E isso que eu sinto, cada dia mais impede que uma expressão negativa se expresse em meus olhos e minha boca.
Quando eu senti que meu coração estava querendo tomar um novo rumo, se desviando se você, você voltou e puxou completamente cada uma de todas as partes de mim de volta pra você. Não adianta eu procurar pros lados o que está dentro de mim: É só isso mesmo, eu te amo!
Você já me disse muitas coisas, mas você ainda não me disse que não me quer, se for isso, diga! Ou então, apenas fique! Fica aqui, cada vez mais perto de mim, não vá embora não, não mude comigo, não seja fria, só me abraça e me protege desse frio, sem medo, eu não quero sair, eu não vou! Apenas me aqueça!
Estou lhe dizendo o que eu quero, e neste momento não há mais duvidas, as duvidas se foram e eu mal posso acreditar. Você é a única que coloca aquele brilho no meu olhar, e me faz sorrir sozinha em lugares públicos, e bem, acho que já ficou bem claro que o que eu quero é você, com todas as qualidades - que eu amo e admiro tanto -, como todos os seus defeitos - que me trazem de volta a você todos os dias -, com cada parte física, intelectual, imaterial, cada peça de roupa - isso não é tão necessário assim, acho que posso cortar essa parte -, com cada artifício, com cada apetrecho, cada órgão vital, cada artéria, cada ar, cada traço, cada sorriso, cada pólo psíquico - sabemos que você tem uma coleção-, com cada elemento, cada pequena partezinha que faz você, com tudo isso que hoje ocupa a maior parte do meu órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda, este que me mantém viva, e que é todo seu.